sexta-feira, 10 de julho de 2009

DESVALORIZAÇÃO DA MULHER EM LETRA DE MÚSICA

Em casa, a esposa perfeita. Na rua, uma mulher sedutora. Quem assiste à novela “Caminho das Índias” sabe que essas características são da personagem Norminha, interpretada pela atriz Dira Paes. A personagem é um sucesso, e a música que toca sempre que ela entra em cena também. É uma composição do sanfoneiro Dorgival Dantas. A letra da música é:

Você não vale nada, Mas eu gosto de você! Você não vale nada, Mas eu gosto de você! Tudo que eu queria era saber Por quê?!? Tudo que eu queria era saber Por quê?!? Você brincou comigo, bagunçou a minha vida. E esse meu sofrimento não tem explicação. Já fiz de quase tudo tentando te esquecer. Vendo a hora morrer não posso me acabar na mão. Seu sangue é de barata, a Boca é de vampiro. Um dia eu lhe tiro de vez meu coração. Aí não mais te quero Amor não dê ouvidos Por favor me perdoa Tô morrendo de paixão... Eu quero ver você sofrer Só pra deixar de ser ruim Eu vou fazer você chorar, se humilhar Ficar correndo atrás de mim....(2X) Você não vale nada, Mas eu gosto de você! Você não vale nada, Mas eu gosto de você! Tudo que eu queria era saber Por quê?!? Tudo que eu queria era saber Por quê?!?

Norminha e a música ‘Você Não Vale Nada’ é a mais cantada da trilha sonora de ‘Caminho das Índias’. Porém ao entrar a música em cena com a personagem, desvaloriza a mulher, os estereótipos evidentes, como: objeto sexual, sedutoras, infiéis, piriguete; não como personagem ou o estilo de roupa e comportamento da mulher que a vulgariza, é sim as representações, as letras da música na mídia.

Com isso é importante analisarmos o conteúdo da letra. Porque muitas vezes inocentemente escutamos tais letras e somos impulsionados pela batida do ritmo e não damos relevância alguma pra a letra. “ Partido da idéias de que a materialidade específica da ideologia é o discurso e a materialidade específica do discurso é a língua, trabalha a relação língua- discurso-ideologia”.

Sendo assim, é importante não só sermos embalados pela música, pelo ritmo, e sim analisarmos o que ela representa para a nossa sociedade, especificamente para a estereotipa a mulher -objeto, na maioria das vezes como objeto sexual.

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